Sem indulgência

"Como atacar um contemporâneo" faz parte da coletânea de ensaios de Virginia Woolf O Leitor comum (1925).
Discutimos no Fragmentos de sentido.
Nosso grupo aprovou.
Citaram-se trechos.
Pertinentes.
Lindos.
O grupo sentiu-se abraçado.
Comoveu-se.
Eu não.
Não consegui.
Reconheço a lindeza e a pertinência de certos trechos.
Mas o conjunto, a repetição de ideias.
Ressentimento, insegurança.
Pedras na mão, jogadas no crítica.
Nem todas as pedras (algumas ficaram para sempre, ela depois as colocou no bolso do vestido e se deixou afundar no rio Ouse).
Perdoem-me.
Não consegui me furtar ao biografismo.
Nem sei se quero.
Posso culpar o Blanchot.
Enquanto lia Como atacar um contemporâneo pensava num trecho – p. 142 – de O livro por vir.

“Os leitores sem indulgência correm o risco de ficar irritados com aquela Virginia que amam tão apegada ao sucesso, tão feliz com as lisonjas, tão vã por ter sido repentinamente reconhecida, tão ferida por não o ser. Sim, isso é surpreendente, doloroso e quase incompreensível. Há algo de enigmático nessas relações falsas que colocam um escritor de tal delicadeza numa dependência tão grosseira. E a cada vez, a cada novo livro, a comédia, a tragédia é a mesma. Essa repetição, da qual ela tem plena consciência – quem foi mais lúcido? –, se torna ainda mais constrangedora pelos encolhimentos do Diário, mas esses erros de perspectiva também têm sua verdade. E, de repente, a saída, a morte que escolheu e que vem ocupar o lugar do público, para lhe dar enfim a resposta justa que ela não cessou de esperar.”

Agora me ocorre: como posso pedir que me perdoem se para com os outros me falta indulgência?


Um comentário:

  1. tudo bem, sinta-se abraço por mim, que também não gostei do texto.

    ResponderExcluir