Da liquidez

"Veja bem, na nossa líquida modernidade os sentimentos são facilmente descartáveis, os relacionamentos servem enquanto trouxerem completa satisfação, depois..."
"Ah, não, mais alguém vai me falar do Bauman..." 
"Por quê? Você não gosta?"
"A tese dele é muito pertinente, e o Amor líquido serve até como autoajuda elegante, e todos precisamos de autoajuda nalgum momento."
"Ah?"
"O amor virou um bem de consumo, que não deve ser durável para ser trocado por outro, a lógica capitalista, blablabla. Olha, o Bauman constata algo que é de fato inegável, só que..." 
"O quê?"
"O problema é..."
"Fala!"
"É que eu não sou um homem líquido, porra, caralho, puta que o pariu!"
"Calma, calma!" 
"Tô calmo!" 
"Claro que tá. Vamos beber mais." 
"É, quem sabe assim."


Um comentário:

  1. eu diria que Bauman constata algo que todo mundo já sabia...

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