Trocadilhos

Buscávamos o pub mais antigo de Londres, faz tempo, e eu ia falando com uma australiana ou neozelandesa, não me lembro direito, e eu me aproximava dela, de seu cheiro beeem doce, e brincávamos, de falar besteira na calçada e de nos apertar um pouquinho (as mãos geladas na pele quente); e logo depois – num momento em que as mulheres tinham se reunido num daqueles grupos que elas acabam se reunindo em algum momento –, um australiano, um fazendeiro que estava descobrindo a Europa, virou-se para mim:

“You are a heartbreaker, mate!”, ele cravou.

Forcei os ouvidos para entender o sotaque dele e usei o meu sotaque para descravar: “No, I’m not.”

“Oh, yes, you are!”
“No, I’m not.”
“Gee, you are, mate.”

Parei de caminhar, ele parou também, até as mulheres pararam, mesmo que não tivessem ouvido o papo anterior. Então fiz até certa pose, como se aquilo que eu ia dizer fosse motivo de orgulho:

“No, I’m not a heartbreaker. I am broken heart.”

Depois bebi todo o meu coração no pub mais antigo de Londres. E continuo.


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