O "crowdfunding" de Mario Bellatin

Em tempos de Flip (e de crowdfunding), escrevo a partir de algo que ouvi do escritor mexicano Mario Bellatin em sua participação na edição de 2009.

Você está em casa e ouve alguém bater à porta no fim da tarde. Abre. E dá de cara com um homem baixo, careca e com um gancho em vez de uma das mãos. Talvez você o ache ameaçador, mas ele apenas lhe pergunta: “Quer comprar uma cota do meu livro?”

A cena parece inverossímil, mas acontecia com certa frequência em Lima, a capital peruana, em 1986. Naqueles dias, o ainda inédito Mario Bellatin tinha escrito um livro chamado Mujeres de sal e sentia que se não o publicasse não poderia continuar escrevendo. Como não conseguia editora, resolveu sair batendo na porta de seus conhecidos, e às vezes na porta de quem não conhecia, oferecendo um exemplar do futuro livro em troca de uma contribuição para o pagamento da gráfica. E deu certo: com o dinheiro arrecadado, ele conseguiu viabilizar a publicação.

Bellatin, que é mexicano de família peruana, nasceu sem o braço direito devido a uma má formação congênita e muitos de seus personagens sofrem de anomalias – em sua obra há castrados, paralíticos, mutilados. Sua literatura também é conhecida pelo estilo direto e às vezes lacônico.

O escritor morou muito tempo no Peru, mas hoje vive na cidade do México, onde em 2001 a Escuela Dinamica de Escritores. No Brasil, ele já teve lançado os livros Flores e Cães heróis.

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