Um dedo com Rodrigo Rosp

Pergunta – Seus dois primeiros livros foram de contos. Fingidores brinca com a forma teatral, às vezes parece um romance. O que é esse livro? 
Rodrigo Rosp – Eu cheguei a pensar em tentar vender (ou divulgar) o Fingidores como um romance, mas acho que não é. Em última análise, é um livro de contos, que brinca com o modo dramático, mas não há a preocupação em encenar. Por isso, eu digo que não é teatro, no máximo uma falsa peça – afinal, eu uso as marcações, as rubricas para acentuar a comédia e o absurdo. Diria então que a forma está a serviço da narrativa (dos contos), e não o contrário. 

Como escrever uma literatura de humor e ainda ser levado a sério? 
Rosp – Ah, mas quem quer ser levado a sério? O bom de escrever literatura de humor é que a medida é outra: apenas o riso importa, o divertimento. Isso dá uma leveza na hora de escrever. Ainda sobre isso, meu personagem diz "jamais subestime a comédia, é a forma de literatura que mais se aproxima do orgasmo". É, talvez exista uma manifestação aí de lutar para que a comédia não seja subestimada. Talvez. 

Sou um escritor e quero ser publicado pela Não ou pela Dublinense. Como faço? 
Rosp – Acho complicado dizer uma fórmula. A gente já chegou aos autores e os autores já chegaram até a gente das formas mais diversas. Eu diria que o mais importante – além da qualidade literária, claro – é circular nos meios literários, nos eventos, nos espaços de trocas de ideias, pois lá que as coisas acontecem.

Crédito: Mari Lopes

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