Sim, algo se moveu

Fui jantar com uma amiga jornalista, isso foi lá em 2011, ela estava em Porto Alegre cobrindo o POA Em Cena, e levou junto ao restaurante outro amigo, amigo só dela, de infância. Durante o jantar, ele me disse (ou depois ela me contou) que estava participando do festival com uma peça na qual atuava e dirigia e que também estava finalizando seu primeiro filme e que estava de Cida Moreira participar dele (a Cida também fez um show naquela edição do POA Em Cena, por isso o assunto veio à tona). 

Meses depois, a minha amiga foi ver a pré-estreia do filme. “O que você achou?”, perguntei; “Eu adorei”, ela respondeu; mas ela era suspeita, o diretor era seu amigo de infância, ela ia gostar de qualquer maneira, eu pensei (ou ela me disse).

Ontem foi a minha vez de assistir O que se move, que agora acumula prêmios (ontem, por exemplo, ganhou como melhor longa de ficção no Hollywood Brazilian Film Festival) e entrou em cartaz faz certo tempo. Posso dizer à minha amiga que compartilho a sua opinião, e não sou suspeito, nunca mais encontrei o Caetano Gotardo.

O que se move trabalha muito, mas muito bem com o silêncio, com o olhar dos personagens sobre as coisas do mundo e, óbvio (para quem assistiu ao filme), com as canções. Mostra vidas banais, diálogos que não indicam conduzir a história, então, nesse cotidiano insuspeito, algo desaba, desmorona. São três histórias, as duas primeiras me surpreenderam com esse desabamento, de tal modo que na terceira fiquei esperando isso, procurando as fissuras que prenunciariam que tudo viraria pó. Mas a terceira história me surpreendeu por não ter isso, ele a já começa com tudo feito pó, que talvez possa se reconstruir. O que desaba ali são as lágrimas da protagonista, e talvez dos espectadores.



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