Como sei essas coisas sobre Caio F. Abreu?

Sei que o Caio Fernando Abreu (1948-1996) escrevia numa máquina portátil vermelha; às vezes ele passava longas horas, longas mesmo, debruçado sobre ela, fechado no quarto, o tic-tac das teclas dia e noite, e quando ele se levantava estava com as costa doloridíssimas. 

Sei também que nos últimos tempos Caio escreveu num notebook preto que visto hoje tem uma surpreendente aparência moderna (exceto pelo disquete que está ao lado dele), mesmo sendo da primeira metade da década de 1990. 

Sei que o autor de Morangos mofados e de O ovo apunhalado gostava de tarô, que se surpreendia por entre as tantas cartas do baralho saírem aquelas cuja interpretação tinha a ver com o que ele estava sentindo. 

Eu vi o baralho de Caio e alguns de seus estudos sobre o tarô. Vi também alguns de seus discos favoritos, mas agora não lembro quais; ah, sim, vi ainda os expressivos e de alguma forma já tristes olhos do escritor na infância, estampados em sua carteirinha escolar lá em Santiago, no centro-oeste do Rio Grande do Sul, onde ele nasceu. 

Como sei e vi todas essas coisas? 

Faz uns meses, fui ao Delfos – Espaço de documentação e memória cultural, no sétimo andar da Biblioteca da PUCRS, e visitei uma pequena e intrigante exposição de peças do acervo de Caio. Para completar, li (e recomendo) Caio Fernando Abreu – inventário de um escritor irremediável (Ediora Seoman, 2008), da jornalista Jeanne Callegari.

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