Autofotoficção (Dias brancos em Varsóvia)

Vivia então dias intensamente brancos em Varsóvia. Brancas neves no chão, brancas nuvens no céu, e uma polaquinha da cor das neves e das nuvens. Que beleza! Tanto frio e tanto calor... Até que ela reclamou: eu era muito bonzinho – acho que usou a expressão “bom samaritano” (não tenho certeza, ainda não dominava o idioma). O certo era que precisava melhorar. E logo! Por sorte era domingo, e nos classificados do Rzeczpospolita achei o anúncio de um tal de Kowalski. Marquei a primeira aula. Ele ensinava em casa, no Śródmieście, a algumas quadras do Vístula. E a primeira coisa que aquele senhor baixo e entroncado me disse foi para fazer a barba. Mas deixar o bigode. Óbvio, né? Eu já devia saber: o bigode era essencial para que eu me tornasse um cafajeste. A foto data dessa época.


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