Natalia e seu álbum de fotografias sem gente

Eu a minha colega de doutorado na PUCRS Natalia Borges Polesso recebemos a mesma boa notícia recentemente: cada um com seu respectivo livro, somos finalistas do Prêmio Açorianos de Literatura na categoria contos (o anúncio do vencedor será no próximo dia 9). A seguir vai a entrevista que tinha feito com ela em agosto, para o site da Biblioteca da PUCRS.

O recém-publicado Recortes para álbum de fotografia sem gente (Editora Modelo de Nuvem) marca a estreia de Natalia Borges Polesso. O livro foi contemplado no edital Financiarte, voltado para arte e cultura de Caxias do Sul, cidade da escritora. Na entrevista a seguir, Natalia, que também cursa doutorado em Teoria da Literatura na PUCRS, fala um pouco sobre a obra e revela suas influências. 

Como você classificaria o livro? Contos? Crônicas? Cenas? 
São contos... O nome Recortes para álbum de fotografia sem gente é o título de um dos contos e creio que ele seja bem exemplar no que diz respeito ao conteúdo do livro... Por outro lado, sempre pensei que pudessem ser cenas. Acho que são contos/cenas. Isso é meio comum comigo, penso em um fragmento que não precisa ter começo meio e fim, mas ele tem que ser algo inteiro. Acho que os contos tem um caráter de integridade, mesmo sendo curtos, mesmo sendo só uma espiada para o interior de um acontecimento linear. 

Sua prosa muitas vezes é lírica, concorda? Dá para falar das suas influências? 
Sim, eu concordo. Se por lírico tu quer dizer carregado de emoções, sim, é uma prosa um (bom) tanto lírica. E é também poética. Escolhi o que tinha de mais parecido com isso dentro do material que eu tinha, aliás, escolhemos, eu e o editor, Marco de Menezes, um poeta! É o que eu gosto de ler também. Não exatamente poesia, mas uma prosa mais poética. Engraçado, gosto muito de Cortázar, de Caio Fernando Abreu, agora de Lydia Davis. Acho que algumas coisas acabam ficando impregnadas na gente. Ninguém fica isento. Ninguém passa incólume pela literatura. E que bom! 

Estudar Teoria da Literatura influencia a sua escrita? 
Não é que eu procure imitar meus ídolos, ou procure saber como se dá o processo da cachola para a folha, mas, como eu disse antes, algumas coisas ficam impregnadas. Agora, teoria, teoria... eu ainda tenho a impressão de que mais engessa do que solta. Ou talvez eu ainda não tenha encontrado um meio termo. Se tu me perguntar se a minha escrita literária influencia a minha escrita acadêmica, eu sei te responder: sim, ela não só influencia como também atrapalha e muito!


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