Short cuts

Madruguei com frio sem saber (o que será que será?) o lençol que não bastava e eu só tinha mais o terno (quase caí) de paletó rolei da estreita cama as vértebras pressionando os nervos às minhas costas o passado que sempre se faz presente e cobra permanência... 

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Almoço coletivo, um café, últimos papos e despedidas. Abraçaram-se todos, não ao mesmo tempo. Na vez dela e dele, após um abraço talvez um pouco mais apertado, ela disse: “Fica bem. Comporte-se”. Ele respondeu tristonho, na atual situação nem conseguia imaginar uma transgressão. Ela se aproximou, ao pé do ouvido: “Se você quiser, penso em várias. Para fazermos juntos”. 

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Geladeira desligada, comida esquecida e limões, não morangos, limões mofados, pontos pretos e cheiro azedo por tudo. Ela acabara de limpar aquele negócio, estava entre as piores coisas que já tinha feito, não era frescura, tinha passado mal, literalmente, mas agora, depois de um banho, seu jeito doce (ela tinha pele de mel) estava de volta. E do outro lado da linha ele pensou em dizer: eu te quereria mesmo mofada e azeda.

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