Duas pessoas conversando: Café no Mercado

“Faz tempo, heim”, um homem de bigode e terno cinza vagabundo disse para mim enquanto eu tomava em café no Mercado Público. 

Será que o conhecia? “Faz tempo mesmo”, despistei. 

“Então me reconheceu, que bom!” 
“Sim, sim.” 
“Aquele churrasco foi muito legal”, ele disse. 
“Cada coisa que aconteceu.” 
“Nem me fale”, fingi estar me lembrando das coisas. 

“Você mora por aqui?”, ele perguntou. 
“Moro em Porto Alegre”, respondi. 
“Claro, claro, eu sabia”, ele disse. 
“E você?”, devolvi. 
“Trabalho aqui do lado.” 

Virei o meu café: “Bom, já vou indo.”. 
“Tá, vamos combinar uma hora”. 
“Vamos mesmo.” 

Ficamos nos olhando um momento sem falar. Então eu: “Bom, a minha esposa está me esperando”. 
“Ah, lembro dela. Manda um abraço. É... Cintia?” 
Balancei a cabeça negativamente enquanto pensava num nome: “Camila”. 
“Puxa, é mesmo. Sabia que era com C.” 

Dei um sorriso, me despedi de vez e saí pensando se aquilo tudo sério e, se fosse, seria engraçado se um dia ele encontrasse mesmo a pessoa com a qual me confundiu.

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