Sozinho na Eclusa

Dessa vez era Barra Bonita, uma cidade do interior paulista que só existe no mapa do turismo por um hotel com uma imensa área de lazer e pelo passeio de barco no rio Tietê, que inclui a eclusa na barragem da Usina Hidrelétrica. E lá estava eu, num domingo de final de feriado prolongado, prestes a embarcar. Na fila, constatei o de sempre na minha vida de repórter: das 400 pessoas que entravam, eu era a única sem acompanhante (eu e o sorveteiro da foto que tirei, seis anos já faz, mas ele não ia embarcar).

A trilha sonora vinha dos anos 60. Pobre menina, não tem ninguém… E eu, pobre menino, espremido entre os passageiros alterados pelas cervejas do feriado e os grupos cheios de (terceira) idade e energia.

A música cessa por um instante. Entra a voz do comandante. Antes de zarpar, quem quiser pode ir à cabine tirar uma foto com ele. Pode até vestir seu chapéu branco por alguns momentos. Não, obrigado.

O comandante adora fazer piadas. Principalmente com sogras. No barco sogra não é passageiro, é contrapeso, e acho melhor rir, Quando sua sogra morrer, serão necessários dois caixões, um para o corpo outro para a língua, de tanto que a sogra fala, e ele segue falando...

Em algum momento (só me dou conta quando já ocorreu), o estilo da música a bordo muda. Marchinha de carnaval, uma das mais apropriadas: Se a canoa não virar, Olê olê olê olá. Eu chego lá.


O barco não vira e chegamos à eclusa. É o grande momento do passeio – nosso comandante brada que se trata do Canal do Panamá brasileiro – e até me animo a ir à parte descoberta observar o elevador de água. Subimos 26 metros em 12 minutos. Depois navegamos mais um pouco pelo rio Tietê, damos meia volta e baixamos pela eclusa.

Antes de retornar ao porto, ainda houve tempo para duas pessoas do sexo oposto quase falarem comigo. Uma ficou me encarando e até sorriu. Mas a sua mãe atrapalhou, dizendo para a menina de dois anos não importunar o moço. No outro extremo, uma coroa bem coroa e espevitada (e suada) me olhou ao som do forró que insistia em tocar e seus olhos eram os de quem poderia me fazer um convite. Desviei, pensando seriamente em aproveitar que o Rio Tietê é limpo por aquelas bandas e me jogar nele.

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