O escritor ao lado

Corria o ano de 1974, e o jornalista Newton Campos, até hoje um dos maiores incentivadores do boxe no país, foi o único brasileiro credenciado para cobrir “A luta do século”: o combate entre o campeão dos pesos pesados George Foreman e Muhammad Ali. 

Todos consideravam Ali quase como um azarão. Foreman era mais jovem e mais forte. O combate também aglutinava tensões políticas e ideológicas da época. Ocorreu no Zaire (hoje Congo) sob ditadura. Ali já havia sido suspenso por três anos ao se recusar a convocação do exército à Guerra do Vietnã. 

Conforme Newton Campos contou em entrevista à revista Piauí, ao chegar ao estádio ele se viu ao lado de um famoso escritor. “Eu me apresentei como repórter do Brasil e ele desandou a falar em espanhol comigo. Foi uma beleza. Era um sujeito simpático pra burro. Contou que estava escrevendo um livro que seria a sua melhor obra”, relembrou o brasileiro, que por sua vez datilografou trinta e cinco laudas sobre o espetacular nocaute que Ali impôs a Foreman. 

O escritor ao lado do brasileiro era Norman Mailer. O livro que ele estava escrevendo era A luta, que se tornou um clássico do jornalismo literário.


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