O Velho do Rio

Em Sousa, quase ninguém chama o Seu Róbson de Róbson. Quem quiser encontrá-lo deve perguntar pelo Velho do Rio. O rio é o do Peixe, mas duvido que haja lá peixe. Na maior parte do ano, nem água tem. Estamos no alto sertão da Paraíba, e o rio só “funciona” de janeiro a junho. No seu leito, alguns dinossauros deixaram pegadas, isso faz uns 110 milhões de anos. É um dos mais longos rastros que se tem notícia. E o responsável por tomar conta de tudo é o Seu Róbson. Olhando para ele, pode-se imaginar um profeta da seca, mas a barba é somente um disfarce. Na verdade, ele é um herói. Há 33 anos não poupa esforços para preservar o Vale dos Dinossauros. Recebe os turistas de maneira exemplar e, em voz mansa, conta a história do sítio arqueológico.

O Seu Róbson ficou contente quando, em 1999, o Banco Mundial financiou a construção de um centro de visitantes, de passarelas para os turistas e de uma barragem para desviar o curso do rio e impedir que as pegadas ficassem cobertas pela água. No momento, porém, certa tristeza o acomete. Desde 1999, nada mais foi feito. O centro de visitantes está caindo aos pedaços, quase literalmente. O projetor não funciona e os painéis explicativos estão descascando. Além disso, uma parte da barragem sofreu avarias. Como todo herói que se preze, o seu Róbson continua a lutar com bravura. Chegou até a enviar cartas para o gabinete do presidente da república relatando a situação. Não obteve resposta.


Escrevi os parágrafos acima em 2008 para o Guia Quatro Rodas. No ano passado, o Vale dos Dinossauros recebeu melhorias. Do Velho do Rio, soube que fizeram um filme sobre ele e que de forma estranha ele perdeu o emprego.


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