As olheiras da Fernanda Takai

Aos que me acusam de sentimentalismo/romantismo em excesso, digo que com muita força de vontade estou melhorando e, para provar, conto essa história: 

Uns quinze anos atrás, amigos me convenceram a ir a um show do Pato Fu. Ao final, por causa de uma promoção de alguma rádio, fomos aos camarins pegar um autógrafo da vocalista. A Fernanda Takai... Nos dias posteriores, eu não pensava em outra coisa, já beirando a depressão. O amigo com quem eu dividia apartamento não se conformava. 

“Luís, Você não pode sofrer por isso!” 
“Mas Guilherme...” 
“Luís, não tem nenhum cabimento! Você a viu uma vez, ela é uma estrela do rock e é casada com o vocalista da banda! Pensa um pouco!” 

Obviamente eu não pensava e ficava sofrendo. E não sofria porque queria apenas passa uma noite com a Fernanda Takai. A coisa era pior, como mostra um de meus textos da época: 

“Sabe, Fernanda, gostaria que tivéssemos a mesma idade e que o Pato Fu e o John não existissem. Assim você teria uma vida comum, igual à minha; e nossos caminhos poderiam se cruzar por um mero acaso. Poderíamos ir pro Japão (pela sua ascendência), juntar dinheiro trabalhando em fábricas pra depois criar nossos filhos onde você escolhesse, até no interior de Minas. E dormiríamos enrolados e eu beijaria seu rosto de adoráveis olheiras. E você cantaria ao meu ouvido: ‘Ah, meu amor, isso é amor!’.” 

Sim, é claro que eu estava sendo ridículo. De um jeito que não sou mais. Melhorei, estou melhorando. Se bem que vida continua difícil sem a Fernanda Takai, ainda mais nesses dias em que ando me sentindo um jiló, nesses dias em que algumas pessoas em quem votei estão indo pra cadeia, o meu time quase foi rebaixado e o Woody Allen agora é acusado daquilo que ele é acusado e, como se não bastasse, não para de envelhecer (o que será da vida sem a expectativa de um filme novo por ano do Woody Allen?). Pelo menos ainda me resta o pôr do sol de Porto Alegre.


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