O cineasta que gostaria de ser escritor

Quando perguntam a Woody Allen se sempre quis ser cineasta, ele responde que não. Seu sonho era ser escritor. E acrescenta: “Todo o projeto é um grande projeto de escrita. Para mim, tudo faz parte do processo de escrever”, contou em “Conversas com Woody Allen”, de Eric Lax (Cosac Naify, 2008).

Além de roteiros, ele já escreveu e publicou peças e contos de humor. Chegou também a esboçar um romance – não ficou contente com o resultado. De alguma forma, no entanto, Allen realiza no cinema o desejo de ser escritor. Pelo menos um de seus filmes segue a estrutura romanesca. Hannah e suas irmãs (1986) mostra os conflitos existenciais e amorosos na vida de três irmãs que moram em Nova Iorque. O roteiro, que é até divido em capítulos, foi inspirado em romances clássicos do século XIX, como Charles Dickens e Liev Tolstoi.

“Gosto de livros como Ana Karenina, nos quais você tem um pouco da história de uma pessoa, um pouco da história de outra, de mais outra e depois volta ao primeiro personagem, ao segundo... Gosto desse formato de um conjunto e queria fazer uma experiência com eles. Desde então, tenho repetido isso algumas vezes”, declarou Woody Allen, que levou o Oscar de melhor roteiro original por Hannah e suas irmãs.


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