Uma orelha: Melhor não abrir essa gaveta

Ando envolvido com orelhas. Não. Me meti num negócio de orelhas. Não, mais vale uma explicação tradicional. Estou minha segunda temporada como monitor de Luiz Antonio de Assis Brasil na Oficina de Criação Literária da PUCRS. A antologia da turma de 2013 acaba de ser lançada. Eles me pediram uma orelha. Eis: 

O Rubem Fonseca foi receber um prêmio em Portugal, em 2012. Ele, em geral avesso às aparições públicas, pegou o microfone e, além de agradecer, proclamou: “na verdade, escrever é uma forma socialmente aceita de loucura”. Então podemos considerar que este livro nos apresenta a oito “loucos”, alguns mais, outros menos (afinal, trata-se de uma antologia, e a disparidade é fenômeno inevitável). 

Mas essa loucura não é totalmente desvairada. Pode ter certo método, e as oficinas de criação literária são reflexo disso. Pois capacitam os alunos para ao menos manejar as ferramentas do ofício de escritor. Essa verdadeira obsessão que nos faz ficar em cima do texto, tentando (e tentando [e tentando]) diminuir a falha entre o que se quer expressar e as palavras. 

Desses “loucos” aqui reunidos, alguns já conquistaram prêmios com sua loucura em concursos, outros já a publicaram na internet, no jornal e até no cinema. Agora estão em livro, cada um deles com seu universo, cada um com seu estilo, singular e múltiplo. Todos também sabem, e isso também faz parte do aprendizado da oficina (e aqui cito outro mestre: Carlos Drummond de Andrade), que “Lutar com palavras/ é a luta mais vã/ Entanto lutamos/ mal rompe a manhã”. Só sendo louco mesmo...


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