Na cidade sagrada dos hindus

Depois de ser acordado por mantras ditos no alto-falante enquanto se tocavam solenes instrumentos musicais.

Depois de abrir a janela e ver as tochas sendo conduzidas num balé em câmera lenta pelos participantes da cerimônia do fogo.

Depois de caminhar à beira do Ganges enquanto o sol surgia das águas e as pessoas se banhavam e lavavam roupas e oravam.

Depois de observar os pequenos grupos que baixavam das vielas carregando seus mortos em procissão até as margens para então prepará-los à cremação silenciosa - só o estalar das chamas na madeira e o estranho cheiro de churrasco saturando o ar do amanhecer.

Depois de tudo isso à beira do rio sagrado na cidade sagrada dos hindus, fizemos uma pausa num café e ficamos pensando em como e tanto Varanasi aturde.

E na hora de pagar, descobri que tinha deixado o dinheiro no hotel. A Anaïs, por sorte, tinha alguns dólares, mas não foram aceitos.

Então saí pelas vielas perguntando onde poderia trocar. Um alfaiate disse que trocaria pra mim. Ele largou o jornal, pegou a nota de cinco dólares e pediu pra eu sentar em sua cadeira e tomar conta da alfaiataria, que ele voltaria logo.

Ocupei por alguns minutos no seu lugar. E até "lendo" o jornal.


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