Orelhando: Naufrágios urbanos

A Oficina de Criação da PUCRS é balzaquiana, pois que chega ao trigésimo ano. E passa bem, obrigado. Firme e forte. Mas, penso agora, em certo sentido, o oficina nasceu balzaquiana. Ou Honoré de Balzac não paira sempre como uma referência para os aprendizes de feitiçaria literária? Ok, sem mais digressões, prometo. E cumpro. Dizendo direto o que vim dizer. Que me coube a honra de novamente orelhar a antologia:

Outro dia, pesquisando no Delfos - Espaço de Documentação e Memória Cultural, na PUCRS, me deparei com o material de Luiz Antonio de Assis Brasil. Estão lá alguns de seus famosos cadernos de trabalho, que folheei com avidez. Entre as inúmeras páginas que me chamaram a atenção, uma dizia respeito ao dia 29 de agosto de 1985. Conforme indicam as anotações de Assis Brasil, naquela data ocorreu a aula inaugural da oficina de criação literária, que agora completa trinta anos e nos brinda com essa antologia de seus mais recentes egressos. 

Os contos aqui reunidos se destacam pelo vigor narrativo. Apresentam personagens que se debatem em meio ao caos da contemporaneidade. Que se afogam no turbulento oceano das cidades. Que sufocam em face de tradições descompassadas. Que se abismam diante da incongruência da condição humana. 

Se os personagens naufragam, os textos prosperam. Exibem uma multiplicidade de vozes, todas a caminho do pleno domínio das diversas técnicas exercitadas. Revelando escritores sensíveis a tudo que os cerca, dispostos a investigar as contradições do mundo em que vivem. Pode-se querer mais do resultado de uma oficina?



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