Carta a V.

Quando me aproximei do seu rosto debaixo do único poste em funcionamento na sua rua e me aproximei mais sob a luz débil e me descobri com medo do que poderia acontecer se nunca mais pudesse olhá-la assim de perto. 

Quando continuamos a nos encontrar, apesar das diferenças e de tudo e todos, apesar de juntos sermos motivo de exclusão e do que diziam e ainda dizem. 

Quando a abordei a caminho do banheiro naquele bar superlotado e a sua boca ávida e o batom misturado à cerveja e você se acomodando em meus braços como agora (e só nós entendemos) o nosso cãozinho se aninha em você. 

Quando fizemos coisas cotidianas que para nós se tornaram extraordinárias. Você, a chuva no chão duro da minha realidade proteica. Você, permita-me ser cafona, sentimental, mal poeta. Eu estou só, eu estou seco.

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