Yo no creo en brujas, pero....

Cumprimentei a mulher que subia as escadas e ela me perguntou se eu era o rapaz que morava com o Gérson. Eu era e ela perguntou se o meu quarto ficava logo depois da sala, o primeiro quarto no corredor. Sim, ficava, o primeiro, e ela me disse que o Gérson comentou dos pratos e copos que andavam sendo quebrados.

“Infelizmente eu sou desajeitado”, respondi. 
“O Gérson também falou do vidro da janela.” 
“É, mas isso não teve nada a ver comigo.” 
“Sim, sim”, ela disse. 
“Você estava deitado longe da janela e de repente o vidro explodiu, não foi?” 

Era o que tinha acontecido, confirmei, e ela perguntou se não aconteceram outras coisas. 

“Como assim?” 
“A lâmpada, por exemplo, a lâmpada do quarto não pisca?” 

Então... A lâmpada piscava ou se apagava sozinha às vezes, e às vezes mais do que às vezes. 

“É que a minha filha vai a um centro espírita”, ela disse. E que a filha estava junto quando ela e o Gérson conversaram. E que a filha disse que aqueles “fenômenos” poderiam ser obra da irmã da Marli. 

“A irmã da Marli?” 
“A Marli é a dona do apartamento”, a mulher disse. Que a Marli morava com a irmã. E que a irmã ficou doente. E morreu. “Morreu no mesmo quarto em que você mora.” 
“Que beleza...” 

A mulher então me aconselhou ir a um centro espírita. Lá poderiam me ajudar, talvez fazer um trabalho de desobssessão. O melhor mesmo seria se eles viessem ao prédio e fizessem um trabalho no quarto, ela disse. Para isso, no entanto, eu deveria aumentar um pouco a história. Contar que tinha visto alguns vultos, sentido uns perfumes, coisas assim... 

Nunca fui ao centro espírita. Não pela a irmã da Marli, mudei de apartamento três vezes já. As luzes continuam piscando.


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