Vânia Samba

Ele – Conheci a Vânia numa oficina de sombra. Sombra é mímica, você vira a sombra de alguém quando segue esse alguém imitando todos os gestos dele ou dela. Bom, depois da oficina, eu e a Vânia decidimos imitar as pessoas na rua. Foi divertido. A gente tava de roupa preta, com a cara pintada de branco, e as pessoas não ficavam bravas. Elas achavam graça. Eu e a Vânia também. Devo confessar que eu fazia de tudo pra chamar a atenção dela. E deu certo, estava dando, pelo menos. A gente sentou num boteco perto da praça da catedral. A gente bebeu cerveja e eu cada vez mais cortejando a Vânia. E ela me incentivando, era o que eu achava. Na hora de pagar, ela tirou o cartão de banco e vi que nele estava escrito Vânia Samba. E eu falei: Ah, o seu sobrenome é Samba? E ela respondeu numa boa. O sobrenome dela era mesmo Samba. Aí eu falei: Você é prima do pagode? E ela me olhou de um jeito... 

Luz se acende em Vânia, que está olhando para ele. 

Vânia – Eu odeio essa piada. Odeio. Todo mundo me diz isso. Eu não aguento mais. Você não faz ideia de como eu odeio essa piada. 
Ele – Calma, calma, foi só uma brincadeira. 
Vânia – Uma brincadeira que eu odeio. 
Ele – Desculpa. 
Vânia – Uma brincadeira estúpida. 
Ele – Você tem razão. 
Vânia – Uma piada sem graça. 
Ele – Ah, até que tem graça, vai. (Ele faz como se estivesse sambando e toma um tapão no rosto. Vânia sai da palco. Ele então diz para o público) Acho que eu não devia ter dado aquela sambadinha...

Nenhum comentário:

Postar um comentário