(Des) Encontro

Fazia tempo que não se encontravam, mas ele achou por bem encher a banheira. Quando ela chegou, de saia, sapatos de salto e alguma maquiagem, ele a fez ver que a água estava quente na medida certa.

“Que tal? Vamos”

Ela não sabia. Talvez depois, mas ele podia entrar.
Ele tirou a roupa e se acomodou na água. Ela preferiu uma banqueta ao lado. Contaram as novidades. Os pequenos dramas e conquistas do cotidiano.

"A água ainda está boa?”
"Claro.”
“Acho que vou entrar também.”

Ela se despiu sob o olhar atento dele. “Não faz assim. Estou gorda.”

Era verdade e não era um problema. O corpo dela mantinha a sinuosidade. Os seios estavam maiores, o que era bom, ele achava, e os quadris, mais largos.

"Minhas coxas estão enormes”, ela lamentou.
“Eu gosto. Entra.”

Ela se acomodou na frente, ele a abraçando por trás. Em silêncio, ficaram trocando carícias. Depois, amenidades. E mais carícias. Quando a água esfriou, saíram e enxugaram um ao outro. Na cama.

Então ficaram se explorando até se explodirem.

Tudo terminado, ela o deixou estirado no colchão e foi ao banheiro. Na volta, ficou parada observando-o. Depois lhe beijou de leve o membro mole e dormente, continuando pela barriga até o peito. Aninhou-se. “Acho que queria ter um filho com você”, ela disse num sussurro.

Ele acordou. Sorria com lábios tênues. “Nem te falei, mas você estava muito bonita quando chegou”, ele disse.

“Sabe o que eu pensei hoje de manhã? Vou trabalhar de saia porque depois vou ver ele.”
“Eu adorei.”
“Fico feliz.”

Olharam-se por algum tempo na penumbra, e ele começou a se vestir. O metrô não ia fechar?

"Se fechar eu posso passar a noite aqui...”, ela disse.
“Acho que é melhor eu te levar até o metrô. Vamos?”

(2010)

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