Quando Raimundo Carrero não conseguia escrever

Entre A história de Bernarda Soledade (1975), seu elogiado livro de estreia, e a segunda obra, As sementes do sol – O semeador (1981), Raimundo Carrero enfrentou uma crise criativa. Numa entrevista à edição de julho de 2001 da Revista Cult, Carrero, que também é conhecido por suas oficinas literárias, falou sobre o assunto: 

Deu um “branco”, literalmente. Passei todo esse tempo sem escrever. Não surgia uma só ideia. Eu não conseguia produzir um conto, um parágrafo ou uma linha sequer e isso trouxe uma angústia terrível, pois meu primeiro livro repercutiu bastante e eu queria aproveitar o momento. Como não encontrava meios de vencer o bloqueio, fui viver. Apenas. Perambulava pelo Recife, bebia uísque, cachaça... E lia, lia como um louco. Somente seis anos depois me veio As sementes do sol – O semeador. Trata-se de um bom livro que, entretanto, precisa ser reescrito. Ele surgiu em uma época complicada, no bojo de uma grave crise religiosa, existencial. Com 22 anos eu já era um escritor conhecido, vivia num momento de poucas ideias, estava passando por problemas no casamento, tinha um filho, não sabia se ia me dedicar ao jornalismo...

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