Laura, Natália, Raquel

Laura tinha os olhos pequenos, fundos e caídos. As sobrancelhas acompanhavam os olhos. E a boca idem. Era fina, comprida, e como que para baixo. Suas mãos eram compridas, não exatamente grandes. Sua pele era chocolate ao leite, os cabelos chocolate amargo. Será que ela tinha ascendência índia? Árabe? Talvez argentina ou uruguaia, já que seu rosto lembrava um tango, sempre um pouco triste, sofrendo mesmo ao sorrir.  Mais ou menos assim:

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Era franzina e quase sem pescoço, quase sem garganta. Quem a ouvisse, porém, quem a ouvisse e nada mais, teria a impressão de uma moça alta, grande como o nome – Natália. A razão? A voz, óbvio. A desrazão, a dúvida: onde ela escondia a caixa torácica que reverberava aquele vozeirão?



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Falo de uma Raquel com q. Há também as com ch, mas não era o caso. De maneira nenhuma. Essa Raquel só podia ser com q, pois magrinha, magérrima, e de rosto grande, oval, mas não muito, parecia-se com a letra q, a minúscula, claro.

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